Preciosa




Dramalhão Preciosa é menos do que se espera dele mas marca uma das atuações mais memoráveis no cinema contemporâneo





Claireece Jones Precious é uma negra, obesa, analfabeta, violentada por sua mãe, abusada sexualmente por seu pai e que tem poucos motivos para sorrir, o que lhe resta é sonhar e utilizar sua imaginação como forma de escapismo. Preciosa, filme de Lee Daniels (Matadores de Aluguel, 2005), é uma história comovente e nada sutil sobre as adversidades que a vida nos impõe.

O longa-metragem começa tropeçando nas suas próprias intenções, mas a medida que vai se humanizando e abandona o discurso de crítica social torna-se mais eficiente e contundente. Porém, tudo ganha pouca relevância diante da atuação memorável e asquerosa de Mo'Nique. Poucos personagens atingiram tamanho grau de repugnância no cinema atual. Mais uma prova do excelente trabalho da atriz, que é favoritíssima para conquistar a estatueta do Oscar 2010 na categoria de melhor atriz coadjuvante. Mas o termo "coadjuvante" é uma mera formalidade porque Mo'Nique rouba a cena e evitará que o filme passe despercebido, apesar do burburinho que ele tem causado.

Preciosa é bem realizado, toca na alma de qualquer ser humano, mas não é nada mais que um dramalhão, que tem um roteiro competente e atuações eficientes. Apesar da expectativa gerada pela sua estreia em terras brasileiras, representará apenas a consagração dessa atriz espetacular, chamada Mo'Nique.

Nota: 7,0


Amor Sem Escalas


Amor Sem Escalas é uma junção competetente do drama e a comédia que retrata a frieza norte-americana e, porque não, mundial



Poucos filmes conseguem revelar de forma doce e amarga a atual situação norte-americana. Por situação, entendem-se o cenário econômico e o das relações humanas. Amor Sem Escalas faz isso muito bem e de quebra traz no seu bojo uma mensagem contundente e nada otimista. O filme é um claro avanço de qualidade em relação aos bons trabalhos anteriores (Obrigado por Fumar e Juno) de Jason Reitman.

O protagonista da história é Ryan Bingham, interpretado pelo insosso George Clooney, no entanto a sua natural frieza encaixou muito bem trama. Ele trabalha em uma empresa de outplacement. Sua função é comunicar aos funcionários de corporações em crise que eles não são mais úteis ou necessários nos seu atuais empregos. Paralelamente, ele ministra palestras motivacionais, em que prega o desapego à todas as amarras sociais que passam despercebidas, como parentes, empregos ou memórias afetivas. Já que, segundo ele, o mundo é movimento e a presença desses elementos impede de nos movimentarmos com eficácia.

Mas quando a jovem e recém-contratada Natalie (Anna Kendrick) propõe um novo modelo de negócios, em que as demissões poderão ser feitas à distância, através de uma espécie de videoconferência, Bingham reluta a todo custo que esse processo seja implementado, pois dessa forma não seria mais necessário passar a maior parte do ano entre aeroportos e hotéis, que ele considera como o seu verdadeiro lar. Em virtude deste novo dilema, Natalie e Ryan viajarão juntos para que ele possa convecê-la que sua ideia não pode ser viável.

Amor Sem Escalas retrata claramente a frieza corporativa e a crise econômica que ainda devasta as empresas e as relações humanas nos Estados Unidos. Mais do que isso, o longa-metragem traz um belíssimo roteiro, escrito por Sheldon Turner, com diálogos divertidíssimos e que deve ser forte candidato no Oscar. Um filme com ar de renovação, que suscita debates sem falso moralismo, com um discurso contundente e uma sequência final tocante.

Nota: 8,0



Lições de Avatar

Vamos nos distanciar de temas como o investimento bilionário de Avatar, sua arrecadação estratosférica e a possibilidade de superar o fenômeno Titanic. Tudo isso é irrelevante diante de questões estéticas e cinematográficas que ganharam corpo desde que o novo filme de James Cameron entrou em cartaz.

Todos nós sabemos (os fãs, surpreendentemente, tem noção disso) que a trama tem mais clichês que capítulo final de novela, sendo comparada exaustivamente pela crítica e o público em geral com o desenho animado da Disney Pocahontas. Apesar da história banal e superficial, Avatar conseguiu tocar, de uma forma ou de outra, a todos que o assistiram. Derrubando, consequentemente, a teoria de que a essência do cinema é contar belas histórias. Indo além disso, o grande sentido da sétima arte nos remete a forma de contar tais histórias. Quantos de nós fomos arrebatados por longas-metragens com histórias simples e banais, mas que nos conquistaram pela forma com que a narrativa foi construída.

Mas esse não é o caso de Avatar. O encantamento proporcionado pela viagem ao planeta Pandora é puramente visual. Alguns extremistas vão concluir que o futuro do cinema se reduzirá a belas imagens e nada a nos dizer. Não tenho uma resposta conclusiva sobre essa questão polêmica. Avatar propôs uma revolução na estética fílmica, a respeito da relação imagem x conteúdo. Ao priorizar a imagem, o diretor estaria concedendo o poder de reflexão e percepção ao telespectador? E o espetáculo visual enfraquece o que a narrativa quer nos contar? Imagem x conteúdo. Ainda é possível equilibrá-los na balança e ter como produto final uma obra respeitável?

Sherlock Holmes

Guy Ritchie cria um Sherlock Holmes pop em um filme divertido e movimentado

Esqueçam a figura sisuda, de posse de sua inseparável lupa e de emblemáticas frases como "Elementar, meu caro Watson". O novo Sherlock Holmes, (Robert Downey Jr.) que chega às telas de cinema de todo o Brasil, é bem diferente do que os fãs acostumaram a acompanhar nos escritos de Arthur Conan Doyle. Trata-se de uma versão remasterizada e pop, influenciada decisivamente pela HQ, que tem o legítimo objetivo de divertir o seu público, sem abrir mão de determinadas características do detetive mais famoso do mundo.


Para os leitores de revistas de celebridades, Guy Ritchie é apenas o ex-marido da musa pop Madonna, mas para o grande público cinéfilo, o cineasta é sinônimo de inovação, com obras pouco convecionais e a mistura explosiva e repleta de sarcasmo de belíssimas cenas de luta e ação com uma comédia inteligente. Em Sherlock Holmes não é diferente. Ritchie concede habilidades de lutas marciais e um ar mais pop ao consagrado detetive. Destaque para a excelente e divertida atuação de Robert Downey Jr.

A história se passa na Londres no período vitoriano e marca o que seria o fim da parceria de Holmes com Watson, (Jude Law) em virtude do casamento deste último. Como último caso, eles precisam desvendar o mistério que envolve magia negra, o futuro da Inglaterra e a figura macabra do Lorde Blackwood(Mark Strong). O filme deve ser encarado como puro entretenimento e talvez o grande pecado de Guy Ritchie foi a busca por tentar tornar o filme digerível para todos os espectadores e de convencer na marra que a trama merece uma franquia.

Excessos de explicações enfraquecem a força narrativa do filme, assim como a repetição de tomadas amplas, captando boa parte da Londres da época serve apenas para mostrar o trabalho de recriação da cidade e não nos tem muito a dizer. Em alguns momentos a narrativa e as cenas trazem no seu bojo um ar arrogante de quem quer ser mais do que realmente representa. As cenas de luta e os efeitos especiais devem fascinar o público menos exigente e confirmar o sucesso que o filme obteve nos Estados Unidos.

A estrutura narrativa convencional deve decepcionar boa parte da legião de fãs do cineasta. A divertida trilha sonora assinada por Hans Zimmer é responsável por ser o fio condutor da narrativa ef az isso muito bem. Não é o melhor trabalho Ritchie, mas com certeza é um dos melhores filmes do gênero, que diverte e traz boas imagens de uma Londres inebriante, de tons de cinza e personagens misteriosos.

Nota: 7,0


Sala de Arte no programa Soterópolis da TVE

Confira abaixo a reportagem oveiculada n programa Soterópolis da TVE sobre blogs culturais em que o Sala de Arte é um dos destaques, juntamente com outros parceiros da blogosfera baiana:



Lucas Santtana volta à Salvador para apresentar seu novo disco

Por Lara Prado

Um dos músicos baianos mais aclamados pela crítica , Lucas Santtana, que reside atualmente no Rio de Janeiro, retorna a Salvador para apresentar o show do seu novo CD, Sem Nostalgia, no dia 18 de dezembro, às 21h, no Largo Tereza Batista. O evento conta com o apoio do Pelourinho Cultural, programa da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.

Lucas, que estudou música clássica na Universidade Federal da Bahia, percebeu logo cedo que enveredaria por um caminho mais experimental. Chegou, entretanto, a tocar em trios elétricos durante o carnaval baiano. Tocou também com grandes nomes da música brasileira como Gilberto Gil, Caetano Veloso e Chico Science & Nação Zumbi antes de seguir o seu próprio caminho musical.

Desde 2000, ingressou em uma promissora carreira solo. Seu primeiro álbum, gravado naquele ano, foi considerado pelo jornal norte-americano The New York Times como um dos 10 melhores discos independentes produzidos no período. Era o CD Eletro Ben Dodô, inspirado na percussão da Bahia, que trazia composições do músico e de artistas como James Brown e Herbert Viana. Depois vieram ainda os álbuns Parada de Lucas, em 2003, influenciado pelos bailes funk do Rio de Janeiro, onde o artista já vive há 15 anos e, em 2006, 3 Sessions in a Greenhouse, com influências do dub jamaicano.

A Salvador, Lucas trará as canções do seu quarto trabalho, Sem Nostalgia, baseado no formato voz e violão, que no Brasil já se tornou um gênero musical. Para ele, a tradição do estilo é tão forte que fez com que o gênero parasse no tempo. “Tinha vontade de fazer um disco voz e violão há um tempão, mas não no mesmo formato que ele existe há mais de 50 anos”, explica o músico.

O resultado foi um trabalho inovador que desafiou a instituição musical existente. “Quis me divertir, fazer aquilo soar como uma banda, com um som elétrico e dinâmico”, diz Lucas. Sem Nostalgia é um trabalho de voz, violão e ambiente, como o músico costuma afirmar. Quem ouve as canções do CD não tem como adivinhar que não há outros instrumentos. Isso não significa que tenha sido gravado em apenas dois canais ou que não tenha havido o uso de equipamentos extras. A faixa Ripple of the water, por exemplo, foi gravada durante uma madrugada no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Os microfones, que ficaram bem abertos, captaram até mesmo sons de insetos que passeavam pelo local. Em outras faixas são usados efeitos como percussão no corpo do violão, ou violão de sete cordas.

Para representar no palco o que foi gravado em CD, o cantor e compositor traz consigo uma banda formada por Ricardo Dias Gomes, no baixo, e Marcelo Callado na bateria. A cargo de Lucas Santtana ficam a voz, a guitarra, o cavaquinho e o laptop, de onde lança, nos momentos exatos, os samples que compõem o espetáculo.


Do Começo ao Fim


Filme mostra um relacionamento homossexual e incestuoso de maneira inverossímil e vazia



A intenção prévia de polemizar ao abordar uma relação amorosa homossexual e incestuosa, apesar do sucesso do trailer no Youtube com mais de 700 mil acesos, não foi concretizada através do filme. Do Começo Ao Fim, trabalho mais recente do diretor Aluzio Abranches (Um Copo de Cólera, 1999), se caracteriza por relações humanas irreais e comportamentos artificiais.

A polêmica é deixada de lado com a intenção de construir um relacionamento terno e singelo, porém não é amparado por nenhuma característica verossímil. Logo na primeira cena, um texto em off toca na questão do livre arbítrio, mas a voz do ator Rafael Cordeiro, desprovida de qualquer naturalidade não surte o efeito desejado.

Os irmãos de pais diferentes Francisco (João Gabriel Vasconcelos) e Thomás (Rafael Cordeiro) são criados juntos e, desde cedo, nutrem um carinho e cuidado exarcebado e recíproco. É justamente nessa fase da vida em que os garotos passam a descobrir o seu corpo e a despertar uma boa dose de curiosidade sobre a sexualidade, porém os personagens não demonstram qualquer atração física recíproca. Abranches constroi um relacionamento artifical, desprovido de qualquer conflito e interesse sexual mútuo por parte dos irmãos, apesar da desconfiança sutil dos pais dos meninos. Tudo é tratado um estranha naturalidade, que beira o surrealismo.

Já adultos, na primeira cena com apelo sexual entre os dois, Abraches opta por uma tomada excessivamente longa, com uma trilha incoveniente e comportamentos sem qualquer beleza e naturalidade aparente. Em seguida, um corte abrupto conduz o espectador para o dia seguinte, no quarto, onde ambos dormiram juntos.

A trama se caracteriza pela ausência de uma história, uma hora e meia se passa e nada nos é contado ou discutido. A polêmica fica restrita ao argumento inicial do filme. Abranches cria um mundo mágico em que o casal não tem qualquer tipo de problema, angústia ou questionamento, nem se sentem pressionados ou coagidos pela família ou pela sociedade.

Um filme vazio em sua proposta com uma trilha sonora melodramática sem sentido. O filme se resume ao dois personagens principais, de um modo autista, com um tom romântico ao extremo, perdendo-se uma rara oportunidade de abrir a cabeça de muita gente sobre o tema. Um desperdício do começo ao fim!

Nota: 4,0


As cantoras Marcia Castro, Mariana Aydar e Maria Gadú causaram frisson em Salvador


Show integrou o projeto Música em Todos os Ouvidos que levou grandes nomes do cena musical brasileira aos largos do Pelourinho


Crédito: Valter Pontes

Marcia Castro, Mariana Aydar e Maria Gadú, as três maiores revelações da música popular brasileira recente, causaram frisson na última sexta-feira, 13, no Largo Pedro Archanjo, Pelourinho. O show fez parte do projeto Novembro – Música em Todos os Ouvidos, realizado pela Fundação Cultural do Estado da Bahia em parceria com o Pelourinho Cultural, programa da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.


Quem passava pelo Pelourinho horas antes do show, deve ter se surpreendido com um movimento diferente. Desde o início da tarde, fãs e amantes da boa música circulavam pelo Pelô, logo após adquirirem os seus ingressos para a grande noite. A primeira a subir ao palco foi a baiana Marcia Castro que provou já ter uma legião de fãs no Estado que se esbaldou ao som da mistura de jazz, frevo e samba-rock da artista.


No repertório, o público pôde conferir as composições que fazem parte do seu primeiro disco, intitulado Pecadinho. O grande sucesso do CD, a música Frevo Pecadinho, composição de Tom Zé e Tuzé de Abreu, foi executada duas vezes para o delírio dos fãs, que não se fizeram de rogados e dançaram ao som do mais conhecido ritmo pernambucano. Grandes sucessos da música brasileira ganharam releituras originais na voz da baiana e de sua banda, que conta com Tamima Brasil, ex-percussionista de Cássia Eller, na bateria. Entre alguns deles, Nega Neguinha, de Zeca Baleiro, Preta Pretinha, dos Novos Baianos e Jorge Maravilha, de Chico Buarque.


Marcia fez também uma homenagem aos 40 anos de Moraes Moreira e cantou um dos clássicos do frevo, a músicaVarre, Varre, Vassourinha. A artista afirmou estar muito feliz em participar do projeto Música em Todos os Ouvidos.“É muito importante para a Bahia e para os baianos trazer produtos e artistas novos que estão fazendo sucesso no Sul e Sudeste do país”, contou.

Fabiana Tavares é fã de Marcia Castro há tanto tempo que nem se lembra ao certo quando a admiração teve início. “Recordo que a primeira vez que eu ouvi Marcia foi em um show no Parque da Cidade. Desde então, comprei o disco e passei a acompanhar a carreira dela”, revelou. “Ela canta a verdade, a cultura, o que é nosso, da Bahia”, contou cheia de entusiasmo.


A paulista Mariana Aydar subiu ao palco em seguida para brindar o público com seu samba contemporâneo influenciado pela bossa nova, pelo samba carioca e pela música nordestina. Aydar cantou as músicas do seu segundo disco,Kavita 1, e aproveitou para apresentar as canções inéditas que fazem parte do seu terceiro e último disco,Peixes, Pássaros e Pessoas. “Não tenho palavras para descrever o quanto eu amo essa cidade”, revelou Aydar que conheceu Salvador ainda criança, por conta de seu avô que é baiano. A paulista convidou também sua amiga Marcia Castro para subir ao palco e juntas fizeram uma homenagem à cantora cubana Mayra Andrade.



Mas foi mesmo o show da carioca Maria Gadú, o mais esperado da noite, que levantou o público. Surpreendida pela recepção calorosa, a artista correspondeu com largos sorrisos e poucas e sinceras palavras. “Gente, não sou de falar. Tenho muita vergonha”, revelou. “Estou muito, mas muito feliz de estar aqui”, completou.


A carioca brindou o público com as músicas cheias de frescor do seu primeiro e homônimo CD, inclusive o hitShimabalaiê, que faz parte da trilha sonora da novela Viver a Vida, da Rede Globo. Em uma das canções, convidou o seu amigo e parceiro de longa data, o sorridente e cativante Leandro Léo, para cantar junto com ela a músicaLaranja, que ganhou um bis a pedido do público, junto com Ne Me Quitte Pas.


Para a diretora do Pelourinho Cultural, Ivanna Soutto, o programa segue mais uma vez como porta de entrada para os grandes talentos da música brasileira. “Desde o início de nossa atividade, o Pelourinho se tornou o début de muitos artistas”, afirmou. Quatro meses atrás, Ivanna iniciou as conversas com Aydar e Gadú a fim de viabilizar o show em solo baiano. Agora as conversas são para trazer Maria Gadú já no início de 2010. Os fãs não perdem por esperar!


O projeto Novembro – Música em Todos os Ouvidos se encerra na próxima sexta-feira (20), com o dia das Orquestras. Desta vez, o Largo Pedro Archanjo receberá os shows das orquestras Rumpilezz, da Bahia, Ska Maria Pastora, de Pernambuco e a Orquestra Brasileira de Músicas Jamaicanas, de São Paulo.

Caro Senhor Horten

Odd Horten é condutor de trens há 40 anos. Tão monossilábico quanto seu prenome. É introspectivo e leva uma vida tão previsível quanto os trens que ele controla. Horten está prestes a se aposentar, restando apenas uma viagem para ele encerrar sua carreira. No entanto, um acontecimento inusitado faz comegue atrasado e acaba perdendo sua última partida. Esse rompimento da rotina acaba gerando situações divertidas, dramáticas e transformadoras na vida do metódico Odd.


Caro Senhor Horten (O'Horten, Noruega, 2007) foi o filme escolhido pela Noruega para representar o país no Oscar 2010. Apesar do insucesso nessa empreitada, o cinema norueguês nos brinda com um filme original que levanta a questão da solidão e da velhice de forma bem emblemática.

Dirigido por Bent Hamer, Caro Senhor Horten é uma comédia dramática, cheia de sutilezas e humor ingênuo, mas não menos inteligente, com situações um tanto quanto surreais. A jornada de Odd pelo interior da Noruega irá revelar para ele um caminho necessário, porém pouco previsível. Mas é o encontro com o ex-diplomata e colecionador de armas Trygye Sessener (Espen Skjonberg) que abre os olhos de Horten. Essa cena apresenta os melhores diálogos e tiradas do filme.

Caro Senhor Horten é uma linda homenagem a uma fase da vida que, embora represente o último ciclo da vida, é um tempo de se realizar o que não se teve coragem ou tempo, enquanto jovem. Lindas e representativas imagens, poucos diálogos, uma trilha sonora minimalista e uma atuação cheia de expressividade, carisma e sensibilidade do protagonista, interpretado por Baarde Owe, que com poucas palavras levanta um discussão bastante pertinente. Filme surpreedente e original que merece ser visto e reconhecido!

Nota: 7,5


Besouro

A expectativa, muitas vezes, é proporcional à decepção por mais boa vontade que tenhamos com o produto a ser analisado. "Besouro", sem qualquer exagero, era o filme mais esperado pelo público brasileiro em 2009. Referendado pelo ótimo trailer que fez sucesso na internet, com milhares de visualizações e por criar um super herói genuinamente brasileiro.


No entanto, a grande expectativa e a louvável idéia de um herói capoeirista se dissipa tão rapidamente quanto os movimentos de Besouro. Os minutos iniciais são um banho de água fria no espectador mais atento. Utiliza-se em demasia o recurso textual para contextualizar a história e de forma redundante, ao invés de nos mostrar através de imagens.

Os diálogos iniciais são fraquíssimos e as atuações da mesma forma. O roteiro é burocrático, arrastado, tornando um filme sobre o lendário capoeirista do recôncavo baiano pouco ágil, com situações e conversas que pouco acrescentam à trama.

As boas passagens ficam por conta do ótimo ator Irandhir Santos, o Noca de Antônia. A cena que mistura capoeira e sensualidade entre Besouro (Aílton Carmo) e Dinorá (Jessica Barbosa) é outro destaque positivo do longa-metragem do diretor iniciante em longa-metragens, mas com sólida e premiada carreira publicitária, João Daniel Tikhomiroff. A marcante trilha sonora cantada por Gilberto Gil e a Nação Zumbi deve também ser valorizada.

Mas os problemas na direção, roteiro e elenco ofuscam de forma cruel a bela iniciativa e o que há de interessante no filme. A feira popular, o surgimento do herói, o comportamento dos vilões, tudo é abordado de modo muito inverossímel. Falta a Tikhomiroff o traquejo cinematográfico. A fotografia em nenhum momento explorou a paisagem da Chapada Diamantina e as lutas não tiveram seu caráter épico, devido aos planos fechados e claustrofóbicos. Mas mesmo de forma atabalhoada, é uma homenagem à Bahia e a nossa cultura tão peculiar.

Nota: 4,5